Devo operar?

Optar por um tratamento cirúrgico sempre é uma decisão delicada. E as reações dos pacientes ao se depararem com este questionamento variam de acordo com a personalidade de cada indivíduo. O fato é que sua segurança no procedimento cirúrgico depende fortemente da maneira que esta decisão foi tomada.

A tomada de decisão depende basicamente da relação que existe entre você e seu médico. Alguns pacientes ainda preferem o antigo método, baseado na relação médico-paciente do tipo paternalista, em que os rumos do tratamento ficam exclusivamente a cargo do médico, e o paciente, em uma posição passiva, não decide sobre o que seria melhor para seu próprio corpo.

É claro que o especialista no assunto tem um maior conhecimento para apontar qual o melhor tratamento, mas a opção pelo rumo da terapêutica deve ser tomada em conjunto com o paciente. Entendo que a relação médico paciente mais adequada é aquela em que o médico está mais para um tutor, que expõe a situação de forma clara para que o paciente possa tomar sua decisão, de forma consciente e decidida.

Logo após o completo diagnóstico do caso, o médico, como um professor, deve expor para o paciente os riscos, benefícios e principalmente o objetivo do tratamento proposto, assim como sua taxa de sucesso. Da mesma maneira, o médico deve colocar as opções não cirúrgicas e sua taxa de melhora, bem como os riscos implícitos caso a cirurgia não seja realizada. Desta forma o paciente poderá tomar a decisão de forma segura, sabendo exatamente o que vai acontecer com seu corpo, bem como as consequências de se operar ou não.

É fundamental para o sucesso da cirurgia que o paciente entenda os objetivos do tratamento cirúrgico proposto. Seria para melhorar a dor? E qual dor? Ganhar movimento? Ganhar Força? Parar de luxar o ombro? E tudo isso a custo do que? Saber exatamente qual é o objetivo do tratamento é para mim o fator mais importante, pois aumenta a confiança e o empenho do paciente na reabilitação, e isto influi diretamente no resultado final do procedimento.

Em resumo, não existe uma reposta imediata para esta pergunta e a resposta é construída ao longo da consulta médica. Depende de um diagnóstico apurado do caso, entendimento das opções terapêuticas disponíveis, e, principalmente, da consciência dos objetivos do tratamento. Considero que o resultado do procedimento cirúrgico está intimamente relacionado a esses passos.

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