DISCINESIA ESCAPULAR

O que é?

A Escápula alada ou discinesia escapular ocorre por uma disfunção da musculatura para-escapular (Rombóides, Trapézio e Serrátil anterior). Esta musculatura é responsável por estabilizar a escápula junto ao tórax durante o arco de movimento dos membros superiores.

A disfunção da musculatura para-escapular leva à perda de coordenação entre os movimentos do braço e da escápula (ritmo escápulo-umeral). Durante a movimentação do braço, a escápula pode rodar para o lado oposto, subir demais e até se desprender da caixa torácica, simulando uma asa (de onde vem o termo “escápula alada”).

Normalmente esta doença não causa sintomas, mas em alguns casos podem ocorrer dores na própria musculatura para-escapular e até impactos de estruturas do ombro, isso porque a escápula determina a posição do ombro durante o movimento.

Por que acontece?

Esta disfunção pode ocorrer por uma simples fraqueza ou desuso dessa musculatura ou por afecções que acometam os nervos promotores da motricidade destes músculos (nervo torácico longo ou o nervo acessório).

O nervo torácico longo inerva o músculo serrátil anterior, que é o principal estabilizador da escápula junto à caixa torácica. Sua disfunção leva a casos mais exuberantes de escápula alada.

O nervo acessório inerva o músculo trapézio e sua disfunção normalmente leva a distúrbios rotacionais durante o movimento.

As disfunções dos nervos podem acontecer devido a traumas, tumores, compressões em seu trajeto e por doenças metabólicas. Quando não é identificada nenhuma causa, denominamos a discinesia escapular de idiopática.

É grave?

Casos de discinesia escapular leve normalmente ocorrem por uma fraqueza muscular e têm bom prognóstico com tratamento clínico.

Já casos mais exuberantes geralmente cursam com lesões de algum nervo e podem necessitar de procedimentos cirúrgicos complexos para que se restitua a qualidade de vida.

O exame que faz o diagnóstico das lesões neurológicas e de sua magnitude é a eletroneuromiografia (ENMG). Este exame é um pouco desconfortável pois várias descargas elétricas são aplicadas a fim de identificar o funcionamento correto dos nervos estudados. A ENMG pode identificar o nervo acometido e seu potencial de recuperação, sendo útil para prever o prognóstico e necessidade de cirurgias.

O que fazer?

O tratamento clínico inicial costuma dar bons resultados. Inicia-se treinamento muscular através de fisioterapia convencional, RPG ou Pilates. O objetivo é fortalecer a musculatura para-escapular e coordenar o ritmo escápulo-umeral.

Uma órtese pode ser utilizada em casos moderados com objetivo de promover apoio à escápula durante o arco de movimento, limitando o seu desprendimento da caixa torácica.

Em casos exuberantes, com lesões neurológicas, o tratamento clínico pode falhar e a estabilização da escápula só é conseguida através de procedimento cirúrgico.

Precisa operar?

Apesar de não impedir movimentos dos braços, a discinesia escapular grave pode limitar a qualidade de vida em pacientes muito ativos ou em atletas que usem o membro superior (arremesso, natação).

Como já comentado, em casos de lesão do nervo, o músculo estabilizador para de funcionar. A cirurgia consiste em transferir uma musculatura funcional para uma posição que promova a função do músculo paralisado. As duas principais transferência são:

  • Transferência de parte do musculo peitoral maior para o serrátil anterior (cirurgia de Melvin-Post), na lesão do nervo torácico longo
  • Avanço das músculos romboides para uma posição lateral na disfunção do trapézio (cirurgia de Eden-Lange), na lesão do nervo acessório

Transferências musculares são procedimentos complexos que necessitam de uma reabilitação motora impecável. O paciente deve readaptar o cérebro para usar o músculo transferido durante o arco de movimento, de uma forma automática e harmônica. Isto demanda tempo e dedicação já que o paciente deve pensar em fazer um movimento para executar outro.

Portanto, a indicação deve ser precisa e o paciente deve estar ciente da complexidade do procedimento e de sua reabilitação.

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