LESÕES DEGENERATIVAS

O ser humano, durante seu envelhecimento, passa por diversos processos de alteração de seus órgãos. Durante este processo, que é lento e gradual, ocorrem mudança tanto no número de células quanto na qualidade dos tecidos corpóreos.

Estas alterações podem levar a perda de função, aumentar risco de lesões, proporcionando dor, inflamações e limitação de atividades antes toleradas. Este artigo irá abordar o processo degenerativo que ocorre nas articulações, suas características e princípios de tratamento.

O processo de degeneração articular

A articulação corresponde ao conjunto de estruturas que fazem a ligação entre os ossos. É formada por diversos tecidos (osso, cartilagem, ligamentos, cápsula articular, tendões, entre outros) e tem como principal função promover movimentos.

A degeneração da articulação é um processo que ocorre quando as estruturas envolvidas não são mais capazes de promover movimentos adequados e indolores.

O principal tecido envolvido no processo de degeneração das articulações é a cartilagem. Este tecido esta localizado no ponto de contato entre um osso e outro e proporciona movimentos com menor atrito, menor carga e, portanto, sem dor.

A cartilagem não tem propriedade de regeneração, sendo que quando lesada, ocorre uma cicatrização com um tecido que não tem as mesmas propriedades.

O resultado é um desarranjo mecânico que resulta em um circulo vicioso de acúmulo de carga e mais lesão da cartilagem.

Quais são os sintomas?

O sintoma mais precoce e característico é a dor na articulação. A dor varia muito com o estágio e controle da doença. Inicialmente a dor ocorre a grandes esforços ou no fim do dia mas, com a evolução e descontrole da doença, pode se manifestar até no repouso.

Como comentado anteriormente, a perda de cartilagem aumenta o atrito entre os ossos durante o movimento. Este atrito vai gerar os sintomas clássicos de inflamação: aumento de temperatura, vermelhidão e edema (inchaço).

Em estágios mais avançados, ocorre rigidez da articulação, cursando com perda de amplitude de movimento. Outros sintomas associado a casos mais graves é a perda de estabilidade articular.

Tem cura?

A perda do tecido de cartilagem é um processo irreversível. Inúmeras alternativas estão sendo estudadas para repor este tecido (transplante de células, estudos com células tronco, entre outros), mas ainda não representam uma solução definitiva.

Apesar disso, o processo pode ser estabilizado e os sintomas controlados, o que proporciona uma boa qualidade de vida ao paciente.

O que fazer para melhorar?

O tratamento é dividido em controle dos sintomas e diminuição da sobrecarga da articulação.

No controle dos sintomas, são utilizados:

  • Analgésicos e anti-inflamatórios
  • Compressas de gelo
  • Infiltrações intra-articulares
  • Condroproterores (medicações que melhoram a função do tecido da cartilagem)
  • Viscosuplementação (reposição de acido hialurônico intra-articular)

Estas medidas melhoram os sintomas do paciente mas não evitam a evolução do processo degenerativo. Já a diminuição da sobrecarga articular pode retardar ou interromper esta progressão.

As principais medidas para diminuir a carga transmitida para a articulação são:

  • Adequação de estilo de vida (evitar atividades com muito impacto)
  • Controle do peso
  • Fortalecimento da musculatura do membro inferior (com exercícios localizados e funcionais)
  • Alongamento da região posterior da coxa (isquiotibiais)
  • Uso de apoios ou órteses em casos que apresentem instabilidade

As atividades físicas empregadas para o controle dos sintomas devem ter

baixo impacto. Exercícios feitos em bicicleta ou em água (como natação e hidroginástica) tem pouca transmissão de carga para a articulação, trazendo muitos benefícios sem proporcionar os malefícios do impacto. Já caminhadas intensas, trotes ou atividades que envolvam saltos, não são aconselháveis.

É importante destacar que estas medidas tem efeito a médio e longo prazo, e que a sua interrupção pode reverter o controle dos sintomas. Portanto, a mudança do estilo de vida é fundamental para o sucesso do tratamento clinico.

Quando operar?

Como comentado, o processo de degeneração é evolutivo. Quando os sintomas do paciente evoluem com importante limitação das atividades diárias, mesmo após adequado tratamento clinico, a opção por tratamento cirúrgico pode estar indicada.

Existem duas abordagens. A primeira é uma cirurgia mais simples, a artroscopia. Tem o objetivo de melhorar temporariamente os sintomas ao retirar lesões muito degeneradas e detritos articulares. É uma abordagem que não melhora a evolução da degeneração. É mais indicada em pacientes ainda sem idade mínima para realizar a cirurgia definitiva.

A segunda abordagem seria a artroplastia. Neste caso a articulação degenerada é retirada e substituída por uma prótese, na maioria das vezes metálica. Esta cirurgia melhora muito a dor e um pouco a mobilidade articular, mas não proporciona uma nova articulação, sendo que cuidados especiais devem ser tomados. Normalmente é indicada em pacientes a partir dos 60 anos, pois a prótese tem uma vida útil e a colocação precoce pode gerar desgaste e necessidade de troca da prótese em um menor período.

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