LESÕES DO BÍCEPS

O bíceps braquial

9 - Lesões do Bíceps interna

O músculo bíceps, como diz seu nome, apresenta duas cabeças, ou seja, duas porções musculares no braço que se confluem em um tendão único na face anterior do cotovelo (tendão distal).

Cada “cabeça” do bíceps tem um tendão correspondente (tendões proximais), uma que se insere dentro da articulação do ombro (cabeça longa) e outra que se insere em uma proeminência óssea fora da articulação (cabeça curta).

O que acontece se eu perder a função do bíceps?

O bíceps é um músculo que auxilia a flexão do braço e tem como sua principal função a supinação do antebraço (girar a mão para cima).

Portanto, apesar do que se imagina, a principal perda de função do bíceps será para fazer movimentos rotacionais como abrir porta, tampa de garrafas, girar chaves, dentre outros. Somente uma pequena parte da força de flexão do antebraço será perdida, já que o principal músculo envolvido nesta flexão é o Músculo Braquial.

Quais lesões que posso ter?

O bíceps pode sofrer lesões em sua substância (ventre muscular), ou em um de seus tendões (tendão proximal cabeça curta, tendão proximal cabeça longa e tendão distal).

O que fazer com as lesões?

Lesões do ventre muscular normalmente cicatrizam com um tempo de repouso e posterior reabilitação motora com a fisioterapia. Raramente, em alguns casos de rupturas extensas, o reparo cirúrgico pode ser indicado.

Com relação aos tendões, a cabeça curta é a mais importante no que se refere à função, sendo que lesões da cabeça longa levam a perdas menores de função. Já o tendão distal (na parte do cotovelo) é único, e sua lesão leva a perda total de função deste músculo. O tratamento de cada um destes tendões é individualizado.

Que exames fazer?

Uma ressonância magnética, exame útil para verificar integridade de partes moles, define a extensão, retração e posição do tendão ou músculo rompido e pode também identificar lesões associadas.

Devo operar?

Esta decisão depende do tendão acometido e nível de atividade do paciente. Sendo considerado para isso também o tempo de lesão e retração da lesão.

O tendão da cabeça longa, por ter sua inserção intra-articular, pode sofrer inflamações crônicas por processos de impacto articular, lesões de tendões, ligamento ou do labrum (ver lesão SLAP). No caso de uma lesão significativa em um paciente ativo, o tendão é retirado de sua inserção e reinserido em uma posição extra-articular protegida (tenodese). Já em pacientes com menos demanda de atividades, a simples desinserção pode resolver o problema da dor (tenotomia).

O mesmo raciocínio pode ser adotado para as rupturas destes tendão, realizando a reinserção somente em pacientes ativos. Se optarmos por não reinserir o tendão, uma deformidade estética pode ocorrer, ela é chamada de ”Sinal do Popeye” por apresentar ventre muscular exuberante durante a flexão do braço.

Lesões do tendão proximal da cabeça curta são muito raras e normalmente necessitam de reparo cirúrgico para restituir a função.

Já a ruptura do tendão distal ocorre mais em homens e tem relação com esforços abruptos e intensos. Para que se recupere a função, a cirurgia deve ser feita o quanto antes, já que com o passar do tempo o tendão retrai e sua reinserção só será possível mediante a enxertos de outros tendões.

Após a cirurgia, a reabilitação é cuidadosa para que não ocorra uma recidiva da lesão. Os pacientes geralmente não evoluem com sequelas significativas.

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