TRAUMATOLOGIA

Que tipos de lesões posso sofrer depois de um trauma?

Um acidente ou uma queda podem gerar vários tipos de lesões, sendo as principais: contusões (quando as estruturas não perdem sua integridade), distensões ligamentares, lesões de tendões, luxações (quando um osso perde contato com outro) e fraturas.

Neste artigo vamos comentar dobre as fraturas, que ocorrem quando existe uma lesão com perda de continuidade óssea.

Risco de fraturas

Existem alguns grupos de pacientes que tem risco aumentado de sofrerem fraturas. Todos nós estamos sujeitos a acidentes que possam causar fraturas, mas algumas características de idade, status da qualidade óssea e doenças clínicas podem aumentar esse risco.

Crianças em idade escolar costumam apresentar fraturas decorrentes de quedas. Isso acontece devido ao ímpeto exploratório próprio da criança e por características que aumentam o risco de fratura (frouxidão ligamentar, maior metabolismo ósseo, presença de cartilagem de crescimento, dentre outros).

Os idosos apresentam risco elevado de queda devido a inúmeros fatores (perda de massa muscular, equilíbrio, visão, doenças clínicas, dentre outros). Além disso, apresentam densidade óssea diminuída e podem sofrer fraturas após pequenos traumas.

Existe uma gama de doenças que alterarem a fragilidade óssea e podem aumentar o risco de fraturas. Podemos destacar: osteogênese imperfeita, osteomaláceas, tumores ósseos, hiperparatireodismo e outras doenças do metabolismo do cálcio, raquitismo, necroses ósseas, dentre outras.

Tive uma fratura, e agora?

Independente da causa, a fratura gera muita dor, e o paciente deve dirigir-se ao pronto atendimento.

Além da analgesia imediata, radiografias são realizadas para identificar as características da fratura. De acordo com os achados, pode-se aconselhar tratamento com imobilização simples, gesso ou cirurgia.

Mesmo quando o tratamento indicado é cirúrgico, o membro acometido recebe uma imobilização provisória para analgesia. Muitas vezes, para se fazer isso, é preciso alinhar a fratura, o que chamamos de “redução”. A redução é feita após analgesia, que é feita localmente, endovenosa (remédios na veia) ou até mesmo em centro cirúrgico, dependendo do grau de lesão.

O que pode acontecer quando tenho uma fratura?

Além do osso, outras estruturas podem ter sua integridade comprometida e devem ser avaliadas. É preciso entender que para que ocorra uma fratura é necessário uma energia de trauma significativa, e esta energia pode também ter afetado as partes moles.

Não só ligamentos, tendões e músculo devem ser avaliados, mas também estruturas importantes como nervos, artérias e veias ter sua integridade confirmada.

Existem algumas reações locais e sistêmicas que devem ser monitoradas de acordo com a intensidade do trauma e característica da fratura. As principais são:

  • Sindrome compartimental : aumento de pressão no membro, o que compromete a chegada de sangue, causando isquemia.
  • Embolia gordurosa : reação sistêmica (do corpo) que cursa com falta de ar – ocorre mais em fraturas de fêmur.
  • Trombose venosa profunda : normalmente em idosos com fratura dos membros inferiores.
  • Infecção : maior risco em fraturas expostas.

Vou ficar com sequela?

É claro que esta resposta depende do grau de lesão. Mas em geral, a grande maioria das fraturas não evolui com limitações de função ou dor crônica caso tenham um tratamento adequado.

É importante entender que o tratamento demanda tempo, repouso adequado e reabilitação motora regrada. A atuação do paciente tem grande importância no processo de recuperação e sua dedicação tem grande impacto no resultado final.

Vai precisar operar?

Esta é a primeira pergunta que vem na mente do paciente após receber o diagnóstico de fratura. Historicamente, o tratamento das fraturas é associado a um tratamento com longo períodos de imobilização com gesso. Porém, este quadro está mudando atualmente.

Hoje o conceito vigente é o da reabilitação precoce, ou seja, do retorno mais rápido do membro à sua função. Isso vale tanto para casos cirúrgicos como para casos de tratamento mais conservadores com gessos ou imobilizações. Porém, vale lembrar que o tempo de recuperação biológica do osso deve ser respeitado em todo processo de reabilitação.

Com a evolução tecnológica dos materiais cirúrgicos, as indicações de cirurgia aumentaram consideravelmente. Modernos implantes possibilitaram movimentos e cargas cada vez mais precoces e, portanto, um retorno mais rápido às atividades cotidianas e esportivas.

Como é a cirurgia?

A abordagem é individualizada de acordo com a idade do paciente, doenças associadas, e o local e característica da fratura. Os implantes variam desde fios de aço provisórios ou fixação externa até fixações internas com parafusos, placas e hastes.

Quanto tempo vai demorar minha reabilitação?

Esta resposta varia de acordo com o tipo de fratura e método de tratamento. Em geral, o processo biológico de consolidação óssea se dá entre 3 e 6 meses, porém, a reabilitação motora final ocorre com pelo menos 6 meses.

O retorno às atividades laborais ocorre em média com 2 meses e meio, quando a dor já estiver controlada e não existir limitação de locomoção. Já para atividades esportivas de impacto, espera-se a recuperação total de função do membro acometido.

Em crianças, o processo de consolidação óssea costuma ser mais rápido e a reabilitação, mais precoce. Já pacientes idosos tem reabilitação demorada por conta de atrofia da musculatura e baixa reserva funcional.

Eu preciso usar alguma medicação para melhorar a calcificação?

Esta é uma pergunta comum feita pelos pais de crianças que sofreram alguma fratura. Como já relatado, a criança tem características que favorecem fraturas por quedas. Caso a criança não seja portadora de nenhuma doença ou apresente uma fratura atípica, não é necessário nenhuma complementação com cálcio.

Já em pacientes com doenças do metabolismo do cálcio ou com osteoporose diagnosticada, o uso de medicações que estimulem a entrada de cálcio no osso são importantes para evitar novas fraturas. Pacientes que não se enquadrem nestes casos não necessitam de qualquer medicação.

A melhor maneira de evitar fraturas é ter um estilo de vida equilibrado, com exercícios que mantenham o tônus muscular adequado e minimizando situações de risco de acidentes.

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